sábado, 4 de fevereiro de 2012

Portas abertas

"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!..."
(Casimiro de Abreu)

     Já há algum tempo que procurava uma certa desculpa para voltar a escrever. E o que aconteceu nos últimos quinze dias foi uma mistura de sentimentos tão intensa que se tornou o motivo ideal para que, enfim, me trouxesse de volta.
     De férias, numa das manhãs em que estive de viagem, disse ao acordar para a pessoa que estava ao meu lado, ainda sem abrir os olhos: "Sonhei com meu colégio e pessoas que não vejo há muito tempo". Ao voltar, a triste notícia de que aquela escola onde passei a maior parte da vida havia fechado as portas e sido vendida. E  que ainda está indefinido o que será feito do espaço pelo comprador. (Sentimentos: medo pelo sonho "premonitório" e tristeza).
     Não obstante conformada com o dito fim, surgiu-me a ideia de procurar as pessoas que fizeram parte desse momento escolar, e que, muitas delas, não via há tempos. Entrei em contato com os poucos amigos que ainda se faziam presentes no dia-a-dia e marcamos um encontro. O que não esperava, pois, era que uma lista de poucos amigos virasse uma enorme lista com praticamente toda uma geração que esteve junta um dia. (Sentimento: surpresa).
     Em pouco tempo meu pequeno grupo se transformou em quase cinquenta pessoas que, impulsionados por um site de relacionamentos, lembravam feitos e efeitos dos nossos oito anos primários e, impressionantemente, lembravam-se até dos detalhes. (Sentimentos: euforia e ansiedade).
     No grande dia, finalmente, abraços, carinhos, conversas, fotos, lembranças, risos e mais risos. Desloquei-me do grupo por algumas vezes para tentar ver de fora as pessoas mais importantes da minha infância juntas novamente rindo e sorrindo, e eu ali, sentindo-me um tanto responsável pelo que estava diante de meus olhos. Varamos a noite. (Sentimento: alegria incontrolável).
     Agora, ao acabar de acordar e revendo as fotos de ontem, sinto uma enorme mescla de todos os sentimentos possíveis. A cabeça gira, o coração acelera, algumas lágrimas caem... Penso como um sonho seguido de uma notícia ruim pode abrir as portas para um sonho real e a mais pura nostalgia, que envolve-me até a cabeça.
     Eu estou feliz. Eu estou muito feliz. E quero mais.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Uma Questão Hipocorística


Hipocorístico é a palavra que traduz a intenção de afeição ou carinho, próprio para uso no trato familiar, pois designa carinhosamente a pessoa na intimidade. O termo hipocorístico é pouco conhecido entre nós, sendo bem mais divulgada a ideia de apelido, que tem significado bastante aproximado.
E de apelidos ninguém está a salvo. Dos mais carinhosos aos mais malignos, sempre somos alvo de alguma palavra que venha a nos caracterizar fisica ou psicologicamente, muitas vezes até se tornando autônomas e substituindo nosso próprio nome.
Geralmente formamos esses hipocorísticos através de alterações já convencionais como: o uso de sufixo diminutivo (Monica – Moniquinha), abreviação do prenome (Carolina – Carol), reduplicação de sílabas (Isabella – Bebella), ou ainda reduplicação ou abreviação somadas a um sufixo diminutivo (Luíza – Luluzinha / Gabriela – Gabizinha).
Na prática, porém, esse processo pode ser aplicado a substantivos comuns e indicar expressões infantis (papai, vovô) ou explicações. Assim, pessoas com dentes grandes são dentinho, os que têm muitas espinhas são chokito, os gordinhos são botijão ou barril, enquanto os magros são meio quilo ou lacraia, e assim por diante.
Há aqueles hipocorísticos  que se projetaram na sociedade e que todos gostariam de ser, como Zico e Pelé,ou mais atualmente, Kaká, todos astros no futebol brasileiro, Lula, um vencedor político, ou Jô Soares, com grandiosa experiência cultural.
Também a literatura apresenta hipocorísticos, com a finalidade de suavizar a narrativa. Aqui encontramos Bentinho, de Machado de Assis, Lucíola, de José de Alencar, e Jeca, de Monteiro Lobato, referente ao caipira do interior do Brasil.
E nem mesmo os santos escapam de receber um hipocorístico. Santa Teresa de Lisieux, quando tratada carinhosamente no diminutivo, por exemplo, virou Santa Teresinha, uma forma mais intimista, criando um clima quase familiar. Quem nunca ouviu evocações a “meu Jesus Cristinho?”

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

"Poetisando a vida"

Oi pessoal,
Estou aproveitando este espaço em meu blog para divulgar e prestigiar um acontecimento muito importante e especial: o lançamento do livro "Poetisando a vida", de Dênis Rubra.
E o que isso tem a ver comigo? Hahahaha.
Bem, em primeiro lugar, o autor do livro, Dênis, é um amigo muito querido e eu pude acompanhar de perto  a escolha de cada detalhe, o preenchimento das páginas e todo o trabalho que ele teve para produzir o tão sonhado livro. Em segundo lugar, não menos importante, este lançamento serve para todos que estão ou não no meio das letras, pois para nós, alunos, ver um amigo alcançar esta conquista em tão pouco tempo de estrada, serve-nos de inspiração, empolgação e motivação para continuarmos estudando mais e mais. E para os que não são do meio, serve para acompanhar o que os talvez futuros professores de seus filhos estão produzindo enquanto universitários.
Fica, para vocês, uma das poesitas contidas no livro. Espero que gostem! =)
E para você, Dênis, desejo muito sucesso! E que este seja só o primeiro autógrafo seu que guardo em minha estante.

 

"Poetisando Insônias

Tô sem sono
Tô com sede
No abandono
Da minha rede.

Tô sozinho
Tô sem ar
No caminho
Que não sei chegar.

Já é noite
Já é fato
Que o tempo
Ah! O tempo...

Me deixou de lado".
(Dênis Rubra)

sábado, 24 de julho de 2010

Saudade.

“O tempo não pára! Só a saudade é que faz as coisas pararem no tempo...”.


     Começo a falar com esta frase de Mário Quintana sobre um assunto presente na vida de qualquer ser humano: a saudade.
     Recentemente, uma pesquisa entre tradutores britânicos apontou a palavra "saudade" como a sétima palavra de mais difícil tradução. é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular. Descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor.
     Pode-se sentir saudade de muita coisa: de alguém falecido, de alguém que amamos e está longe ou ausente, de um amigo querido, de alguém ou algo que não vemos há tempos, de alguém que não conversamos há muito tempo, de lugares, de comida, de situações, de um amor. "Saudade é um dos sentimentos mais urgentes que existem". (Clarice Lispector)
     "Matar a saudade" pode designar o desaparecimento desse sentimento, mesmo que seja temporariamente. Isso é possível relembrando, vendo fotos ou vídeos antigos, conversando sobre o assunto ou reencontrando a pessoa que estava longe.
     Hoje senti saudade. Bons tempos e bons amigos que não vejo há um tempinho. Lembrei de várias coisas da minha infância e dos meus 12 ou 13 anos, quando era uma pirralha achando que era adolescente e quase adulta. Hahahaha. Muito bom recordar,né? Melhor ainda é recordar com esse gostinho bom da saudade. Se isso faz falta, é porque valeu a pena. =)

domingo, 13 de junho de 2010

Um sonho lindo

        Encontrávamo-nos. Ele estava lindo, como sempre, com sua tradicional blusa de botões, calça clara e muito satisfeito com seu tênis novo. Assistíamos a uma partida de futebol, paixão dos dois, comendo petiscos sobrados da noite anterior. Trocávamos presentes. Dentro da caixa um colar tão lindo que não resisti em pô-lo na hora.
        Fazíamos um passeio. Andávamos pelas ruas de mãos dadas, falando alto, rindo, parando no meio do caminho para abraços e carinhos, um beijo a cada sinal... Estávamos sem destino, indo para onde o vento nos levasse. A única coisa realmente importante era o fato de estarmos juntos.
        Olhava-o como hipnotizada até que seu sorriso e um "o que foi?" tomasse minha atenção de volta para o mundo real.
        Estava frio, aproximadamente 17 graus, e ainda assim tomávamos sorvete.
        Depois íamos para casa, púnhamos um filme e assistíamos abraçados esquentando-nos um com o corpo do outro. Um bom filme de comédia...ríamos, voltávamos cenas e ríamos de novo da mesma coisa.
        Dizia-me coisas bonitas e me fazia cafuné, um carinho tão gostoso que sequer conseguia mudar de posição. Carinhos e mais carinhos até que dormisse e...
        Eu tive um sonho lindo...
        Quando acordei, ele estava ao meu lado.