"Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!..."
(Casimiro de Abreu)
Já há algum tempo que procurava uma certa desculpa para voltar a escrever. E o que aconteceu nos últimos quinze dias foi uma mistura de sentimentos tão intensa que se tornou o motivo ideal para que, enfim, me trouxesse de volta.
De férias, numa das manhãs em que estive de viagem, disse ao acordar para a pessoa que estava ao meu lado, ainda sem abrir os olhos: "Sonhei com meu colégio e pessoas que não vejo há muito tempo". Ao voltar, a triste notícia de que aquela escola onde passei a maior parte da vida havia fechado as portas e sido vendida. E que ainda está indefinido o que será feito do espaço pelo comprador. (Sentimentos: medo pelo sonho "premonitório" e tristeza).
Não obstante conformada com o dito fim, surgiu-me a ideia de procurar as pessoas que fizeram parte desse momento escolar, e que, muitas delas, não via há tempos. Entrei em contato com os poucos amigos que ainda se faziam presentes no dia-a-dia e marcamos um encontro. O que não esperava, pois, era que uma lista de poucos amigos virasse uma enorme lista com praticamente toda uma geração que esteve junta um dia. (Sentimento: surpresa).
Em pouco tempo meu pequeno grupo se transformou em quase cinquenta pessoas que, impulsionados por um site de relacionamentos, lembravam feitos e efeitos dos nossos oito anos primários e, impressionantemente, lembravam-se até dos detalhes. (Sentimentos: euforia e ansiedade).
No grande dia, finalmente, abraços, carinhos, conversas, fotos, lembranças, risos e mais risos. Desloquei-me do grupo por algumas vezes para tentar ver de fora as pessoas mais importantes da minha infância juntas novamente rindo e sorrindo, e eu ali, sentindo-me um tanto responsável pelo que estava diante de meus olhos. Varamos a noite. (Sentimento: alegria incontrolável).
Agora, ao acabar de acordar e revendo as fotos de ontem, sinto uma enorme mescla de todos os sentimentos possíveis. A cabeça gira, o coração acelera, algumas lágrimas caem... Penso como um sonho seguido de uma notícia ruim pode abrir as portas para um sonho real e a mais pura nostalgia, que envolve-me até a cabeça.
Eu estou feliz. Eu estou muito feliz. E quero mais.